Maria Carla Fontana Gaspar Coronel
Senior da Divisão de Consultoria

Não faltam discursos apocalípticos sobre o impacto da criptoeconomia no mundo. Profissionais de diversas áreas se mexem para não ficar atrás em relação às novas terminologias que surgem em ritmo vertiginoso.

Blockchain, fintech, criptoativos, bitcoin, mineração de criptomoedas, dentre muitos outros, são alguns dos termos que se destacam neste momento.

E para acompanhar o impacto da tecnologia no ambiente jurídico a B&M foi convidada a participar da “FinTech Mission to Switzerland”, em junho de 2019.  Trata-se de uma missão, organizada pelo Swiss Business Hub, que incluiu diversas palestras e reuniões para apresentar o ecossistema jurídico e regulatório Suíço aos empresários e estudiosos brasileiros.

Logo depois, veio a Crypto Valley Conference, organizada pela Crypto Valley Association, que aconteceu entre os dias 24-26 de junho. Foram mais de 100 apresentações de líderes da indústria global e diversos painéis de discussão relacionados com tecnologia, economia, finanças e regulação dos processos de blockchain.

Reza a lenda que para alcançar o progresso, um empresário precisa passar por várias etapas. Mas, sem dúvidas, a primeira delas é ser capaz de antever as tendências do futuro próximo. Após nossa missão em solo suíço concluímos que o futuro com certeza passará pela criptoeconomia.

Na verdade, a criptoeconomia é um assunto de importância estratégica para empresários e para os governos porque não se trata apenas de “globalizar” o dinheiro, mas é o que vai fazer a diferença se um país terá empresas competitivas ou não. É por isso que nenhum país quer ficar para trás.

Quando o 4G foi lançado, a Europa levou dois anos a mais que os Estados Unidos para instalar suas redes. Esse tipo de atraso costuma ser uma das razões de empresas como Amazon, Uber e Facebook não terem nascido na Europa ou no Brasil.

Hoje, a Europa aprendeu sua lição e não está medindo esforços para ser pioneira, especialmente a Suíça, que acaba de receber a “Libra Association”, do Facebook.

Como qualquer tecnologia nova, a adesão costuma ser pequena no começo, mas tende a crescer com o tempo. O lançamento da “Libra” (criptomoeda criada pelo Facebook) com certeza iniciará uma nova fase de popularização dos criptoativos.

A tendência é que em pouco tempo as pessoas se acostumem a usar wallets e fazer compras cotidianas usando criptoativos, a economia global fluirá de uma forma mais  e rápida, sem a necessidade de muita burocracia. Isso implicará um novo ciclo de crescimento para todos os países que saírem na frente.

Com leis práticas e instruções flexíveis, a Suíça já se lançou na vanguarda, criando um ambiente propício para empresas que queiram implementar novas tecnologias e modelos de negócios baseados no blockchain.

Muito embora existam muitas oportunidades a serem exploradas no Brasil, o país, atualmente, acaba não sendo um destino natural, seja pela falta de investimento em desenvolvimento e pesquisa na área tecnológica, seja pela falta de um ecossistema jurídico e regulatório amigável ao empresário.

Se o governo brasileiro não se empenhar agora em desenvolver um modelo jurídico que permita o crescimento da criptoeconomia, assistiremos a mais uma diáspora de empresas e profissionais, que seguirão para outros países em busca de um ambiente propício e acolhedor.

O lado bom para o empresário brasileiro é que já existem países ávidos para receber empresas que desejam trabalhar com alta tecnologia. A Suíça, com certeza, é um destes países com solo extremamente fértil para o nascimento de novos “unicórnios”.


 

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