Cesar Moreno
Sócio da Divisão de Consultoria

A sucessão nas empresas familiares costuma ter um traço característico comum: a chegada dos herdeiros às posições-chave da empresa e o desenrolar dos acontecimentos a partir daí.

Em muitos casos, nem se tratam de “pessoas novas”, no sentido de serem completas desconhecidas dos outros sócios ou dos demais que atuam na gestão. Contudo, a sua chegada agora vestindo o “chapéu de sócio” costuma trazer surpresas tanto nas Assembleias quanto na administração (Conselho e/ou Diretoria).

O problema costuma surgir na ausência de um plano de transição, quando os fundadores não estruturam a empresa para continuar a funcionar depois do seu afastamento, e tampouco cuidam de selecionar os mais aptos e preparados dentre os herdeiros para assumir a frente dos negócios.

O resultado disso é alto índice de “mortalidade” das empresas familiares, que normalmente sucumbem devido ao processo de substituição dos fundadores pela segunda geração, e dos problemas daí decorrentes como choques de gerações; diferentes visões de gestão e atuação empresarial e principalmente a diferença gritante entre valores e princípios.

Algumas atitudes preventivas ajudam muito a minimizar os traumas decorrentes da sucessão, como por exemplo:

  • Criar ferramentas para investir no diálogo: famílias aumentam e, consequentemente, a expectativa e a demanda dos membros se multiplicam. Naturalmente, fica mais difícil acomodar todas as ideias e criar espaço para todos. Por esta razão, técnicas de negociação, mediação e conciliação são fundamentais entre os membros da família.
  • A independência entre empresa, família e patrimônio: antes de namorar, casar ou divorciar, qualquer membro da família deveria  compreender qual o melhor instrumento jurídico na área de Direito de Família e Sucessões para seu caso. Envolver agregados aos negócios precisa ser bem entendido por todos, antes que aconteça sem querer, especialmente porque acaba por afetar a empresa.
  • A sucessão na gestão: todos sabem que um negócio iniciado por seu fundador raramente terá apenas membros de sua família na sociedade. Novos atores serão necessários. Atrair talentos fora da família é fundamental, mas para isso se faz necessário pensar em mecanismos que tornem as avaliações justas.
  • Planejamento: muitas famílias apenas atuam mediante demanda. Só pensam no problema depois que já aconteceu, quando o ideal é planejar, pensar em alternativas antes do problema aparecer.

Com algum trabalho prévio a partir das quatro ideias acima mencionadas muitos contratempos decorrentes da sucessão podem ser minimizados ou até evitados. O segredo é planejar, afinal é melhor prevenir do que remediar.


 

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