“Quem pensava que a cachaça servia apenas para uma purinha ou fazer caipirinha, equivocou-se. Serviu até como motivo de revolta. Vejam só, caros clientes e amigos.

A cana utilizada pelos engenhos do Rio de Janeiro era aguada, produzindo açúcar de baixa qualidade. Porém, produzia boa cachaça, que além de muito consumida, passou a ser utilizada como moeda de troca pela população e pelos traficantes para pagarem as compras de escravos lá na África. E sendo mais barata, a cachaça acabou por reduzir o consumo de vinho e bagaceira, importados de Portugal.

Percebendo que estava perdendo dinheiro, em 1647 o Rei de Portugal proibiu a produção e o comércio da bebida. A exemplo das leis que atualmente não pegam, essa Carta Régia também não pegou. Irritado com a colonial desobediência, o Rei mandou destruir os alambiques.

Isso já não bastasse, o Governador do Rio de Janeiro, Salvador Correia de Sá e Benevides, em 1660 instituiu uma taxa sobre as posses dos habitantes. Sendo os alambiqueiros os mais ricos, não gostaram nada da história e começaram a tramar uma revolta. Em 8 de dezembro de 1660, aproveitando a ausência do governador, tomaram o poder nomeando novos governantes e reduzindo a carga tributária. Essa revolta ficou conhecida como REVOLTA DA CACHAÇA. Poucos meses depois o Governador voltou e retomou o seu lugar.

O tempo passa, os governantes e os tributos mudam, mas a ânsia de arrecadar permanece, assim como permanece a dificuldade dos administradores públicos de notarem os buracos na rua, hospitais superlotados e escolas deterioradas.”


 

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